Ela sentirá o baque da primeira rejeição profissional, a primeira vez que alguém a fará questionar seu valor, sua formação, suas experiências e a forma de interagir com os semelhantes. E isso a mudará.
Ela sentirá que perdeu a identificação com a própria nacionalidade, com o lugar de onde veio, com os lugares para onde já foi, sem saber também para onde deseja ir. Só lembrará do que passou, do que foi bom, do ir e vir na estrada e nos céus, diferentes continentes e países, ou mesmo os bons momentos em lugares tão próximos, tão íntimos, que nem parecem estar no mesmo estado onde se encontra. E isso a mudará.
Ela se sentirá afastada dos amigos que, um dia, já foram seu norte. Aqueles que a faziam sentir tão especial por um minuto e meio, como se os grandes acontecimentos realmente estivessem destinados somente a ela e a mais ninguém. Se sentirá isolada daqueles que já foram tão primordiais em sua vida que um dia jamais começava sem qualquer palavra de reconhecimento daqueles que a conheciam melhor do que ninguém. E isso a mudará.
Ela não será mais capaz de não desconfiar das pessoas, do meio em que vive, dos círculos íntimos, dos lugares que amou, onde sempre se sentiu em casa, a estranha familiaridade de locais onde muito viveu mesmo tendo pouco freqüentado. E isso a mudará.
Ela será incapaz de amar incondicionalmente. Por todos que já a sacanearam, já usaram seu afeto excessivo e imaturo escondido embaixo da grossa carapuça de cinismo e frieza que a reveste, o falso senso crítico implacável e a incapacidade de permitir uma aproximação física e, principalmente emocional. Pois a intensidade só traz uma ansiedade irracional que aguarda a nova queda. E isso a mudará.
A vida acontecendo, o tempo que não espera por ninguém, a juventude que escorre por entre cada fresta de tempo, os minutos perdidos esperando algo ou alguém que não virá buscá-la. Isso a mudará.
Por que tanto tempo sem escrever nenhuma linha sequer, quando tenho tanto a dizer?
Por que prefiro o silêncio ao som de muitas vozes?
Por que andar sem rumo com tempo é tão bom?
Por que ter o tempo que se queria se quando se consegue não se quer mais as 24 horas do dia?
Por que acreditar em uma última experiência negativa ao invés de acreditar em mais de um ano inteiro de sucesso na mesma estrada?
Por que acreditar somente nas críticas não construtivas ao invés de levar em conta os muitos elogios que as suplantam?
Por que passar tanto tempo atrás do que dá errado quando o que dá certo e é pra ser traz tantas recompensas em tão pouco tempo?
Por que não pensar o melhor quando ainda se é jovem se, para o resto da vida, pensar o pior é mais fácil e cauteloso?
Por que não tentar trabalhar pra melhorar o que já se tem ao invés de perder o tempo necessário sonhando com o que não está disponível?
Por que se deixar aprisionar pelo que tem preço se o que não tem traz mais felicidade por mais tempo?
a cada recomeço, me torno mais cínica mais cética mais cautelosa a já alta muralha parece erguer por conta própria alguns metro adicionais mas desta vez parece difícil quase impossível não deixar a vida entrar novamente preenchendo tudo aquilo que ficou vazio por tanto tempo o coração não aceita maquiagem nem as mentiras que contamos pra nós mesmos esperando que, ao repeti-las tantas vezes, acabem se tornando verdade
difícil impedir que a vida entre quando tudo aquilo que me alcança e me espera pode não parecer tão promissor mas tem gosto tão irresistível quando chego no outro lado
encontrei este texto em um blog que leio quase que diariamente, chama le love. basicamente atualizado com fotos, textos, ilustrações e frase inspiradoras ou reveladoras dentro do assunto.
esse é o texto de hoje.
eu não poderia ter escrito nada melhor, que sintetizasse tudo que importa com tão pouco.
já disse e digo novamente: quando se diz tudo o que há pra dizer , não há mais nada a falar e o melhor é ficar em silêncio.
eu fico em silêncio depois de ter lido isso.
(traduzido)
o perigo de um coração partido não é a dor não são as lágrimas, ou a raiva não é a solidão não é o silêncio, o assento vazio, a cama - agora grande demais
o perigo de um coração partido é o que temos para consertá-lo. desconfiança, desesperança, falsa sensação de conforto independência as promessas que fazemos, o que juramos para nós mesmos o perigo da auto confiança
o perigo é que estes pontos em nosso coração não caem eles estão aqui pra ficar porque eles precisam ficar
o perigo é que nós sabemos que não se trata mais de amor e não se trata do quão perfeitos nós somos em nossos mundos se trata do quão perfeitos somos no mundo deles.
o perigo é que dois se tornam um e metade de um... bem.
metade não é um todo mas nós temos de fazê-lo ser.
abandonar a vida que se amava, deixar tudo pra trás
indo em busca de encontros furtivos
entre noites esfumaçadas, cigarros compartilhados, risadas roubadas
olhava desconfiada, sem saber o que me esperava e agora, penso se quero voltar pro caos onde vivia até encontrar algo ou alguém que me prendesse me prendesse aonde vivo, no mundo real
mundo real, sentimental, racional e imaginário de todo
quando, na verdade, vive-se um novo mundo onde as realidades combinadas se encontram se curtem,
e passam a se alimentar uma da outra
em outro ambiente esfumaçado cheio de provas do que aconteceu nas madrugadas passadas entre dois, nem música, nem som, além da respiração ofegante mútua
e o que fazer? vender? fugir?
preciso disso, de tudo isso
do alguém, da nova realidade dos antigos sonhos perdidos entre doses alcóolicas de sua preferência
roubar-lhe o ar, o ex cotidiano morno
substituido por goles de ira em doses homeopáticas e, num futuro próximo, cada vez maiores pois ainda não trouxe o ódio de saber que um dia tudo morre pra se transformar em algo que não se queria boas maneiras cobertas de palavras sutis polidez revestida de desprezo pelo que se viveu
que surpresa... qual é o preço?
*inspirado nas músicas de Brody Dalle, musa pra toda a vida, líder do falecido Distillers e atual Spinerette
meu humor é Deus entre doses, baforadas, e o vento gelado de inverno penso, enquanto desejo assistir a uma performance um show de ruidos e riffs de guitarra barulhenta voz rouca, gritos, entonações por vezes desafinadas penso que ela deveria estar me vendo dentro de mim por alguns momentos
e então eu ficaria frente a frente com o palco e sua presença toda mulher, sem espaço pra mais nada, calça apertada boca pintada, borrada lábios rasgados, cabelos pretos no rosto e muita vontade de gritar pra quem esteja ligado e tenha percepção e inteligência pra ouvir
talvez seja melhor nunca nos encontrarmos como sei que a realidade dita mas não minha cabeça
gostaria que ela me acompanhasse, minha deusa por entre os redutos sujos bares copos pelo sexo pelas noites de insônia recente pelos momentos de escrotidão cotidiana me dando coragem pra dizer a quem merece entoando um cover muito bem regravado, "você faz meu coração bater mais rápido"
*ainda inspirado em Brody Dalle, que faz o meu coração bater mais rápido