a cada recomeço, me torno mais cínica mais cética mais cautelosa a já alta muralha parece erguer por conta própria alguns metro adicionais mas desta vez parece difícil quase impossível não deixar a vida entrar novamente preenchendo tudo aquilo que ficou vazio por tanto tempo o coração não aceita maquiagem nem as mentiras que contamos pra nós mesmos esperando que, ao repeti-las tantas vezes, acabem se tornando verdade
difícil impedir que a vida entre quando tudo aquilo que me alcança e me espera pode não parecer tão promissor mas tem gosto tão irresistível quando chego no outro lado
encontrei este texto em um blog que leio quase que diariamente, chama le love. basicamente atualizado com fotos, textos, ilustrações e frase inspiradoras ou reveladoras dentro do assunto.
esse é o texto de hoje.
eu não poderia ter escrito nada melhor, que sintetizasse tudo que importa com tão pouco.
já disse e digo novamente: quando se diz tudo o que há pra dizer , não há mais nada a falar e o melhor é ficar em silêncio.
eu fico em silêncio depois de ter lido isso.
(traduzido)
o perigo de um coração partido não é a dor não são as lágrimas, ou a raiva não é a solidão não é o silêncio, o assento vazio, a cama - agora grande demais
o perigo de um coração partido é o que temos para consertá-lo. desconfiança, desesperança, falsa sensação de conforto independência as promessas que fazemos, o que juramos para nós mesmos o perigo da auto confiança
o perigo é que estes pontos em nosso coração não caem eles estão aqui pra ficar porque eles precisam ficar
o perigo é que nós sabemos que não se trata mais de amor e não se trata do quão perfeitos nós somos em nossos mundos se trata do quão perfeitos somos no mundo deles.
o perigo é que dois se tornam um e metade de um... bem.
metade não é um todo mas nós temos de fazê-lo ser.
abandonar a vida que se amava, deixar tudo pra trás
indo em busca de encontros furtivos
entre noites esfumaçadas, cigarros compartilhados, risadas roubadas
olhava desconfiada, sem saber o que me esperava e agora, penso se quero voltar pro caos onde vivia até encontrar algo ou alguém que me prendesse me prendesse aonde vivo, no mundo real
mundo real, sentimental, racional e imaginário de todo
quando, na verdade, vive-se um novo mundo onde as realidades combinadas se encontram se curtem,
e passam a se alimentar uma da outra
em outro ambiente esfumaçado cheio de provas do que aconteceu nas madrugadas passadas entre dois, nem música, nem som, além da respiração ofegante mútua
e o que fazer? vender? fugir?
preciso disso, de tudo isso
do alguém, da nova realidade dos antigos sonhos perdidos entre doses alcóolicas de sua preferência
roubar-lhe o ar, o ex cotidiano morno
substituido por goles de ira em doses homeopáticas e, num futuro próximo, cada vez maiores pois ainda não trouxe o ódio de saber que um dia tudo morre pra se transformar em algo que não se queria boas maneiras cobertas de palavras sutis polidez revestida de desprezo pelo que se viveu
que surpresa... qual é o preço?
*inspirado nas músicas de Brody Dalle, musa pra toda a vida, líder do falecido Distillers e atual Spinerette
meu humor é Deus entre doses, baforadas, e o vento gelado de inverno penso, enquanto desejo assistir a uma performance um show de ruidos e riffs de guitarra barulhenta voz rouca, gritos, entonações por vezes desafinadas penso que ela deveria estar me vendo dentro de mim por alguns momentos
e então eu ficaria frente a frente com o palco e sua presença toda mulher, sem espaço pra mais nada, calça apertada boca pintada, borrada lábios rasgados, cabelos pretos no rosto e muita vontade de gritar pra quem esteja ligado e tenha percepção e inteligência pra ouvir
talvez seja melhor nunca nos encontrarmos como sei que a realidade dita mas não minha cabeça
gostaria que ela me acompanhasse, minha deusa por entre os redutos sujos bares copos pelo sexo pelas noites de insônia recente pelos momentos de escrotidão cotidiana me dando coragem pra dizer a quem merece entoando um cover muito bem regravado, "você faz meu coração bater mais rápido"
*ainda inspirado em Brody Dalle, que faz o meu coração bater mais rápido
"sei lá. me entristece às vezes é muito triste quando o coração parte pela primeira vez. a primeira vez que vc vê que não tem o pra sempre lembro quando isso me atingiu em cheio eu nunca superei"
uma mensagem necessária, para aquele que reclama que não consegue encontrar, mas quando encontram nada faz pra manter
representante da geração prozac anos 90, que prefere se dopar com anti depressivos ao invés de fazer o trabalho pesado, olhando pra dentro de si próprio e mudando o que deixa mal. aquilo que os remédios encobrem.
pois é muito mais fácil tentar se alienar em meio à abstração de um cinismo supostamente inteligente.
muito mais fácil do que levantar a bunda e fazer algo a respeito, gritar pra fora da janela, tentar revirar a vida do avesso, tentar pedir ajuda pra quem está claramente te extende a mão
como se pode preferir drogas, abstração mental, neblina cerebral, confusão, entorpecimento, ao invés de se escolher a vida?? Irvin Welsh bem disse, "choose life"
nada contra quem permanece nesse caminho, escolhendo a saída mais fácil e permanecendo no lixo do senso comum
porque poucos tem o culhão de mudar de verdade, pra sempre.
exige coragem. CORAGEM.
que falta de tesão em quem finge não sentir tesão em nada e esconde o que lhe move.